quinta-feira, 27 de abril de 2017

O Cowboy Virgem - Parte 1/2

Ao contrário do que muitos pensam – ou não! – o caubói mais longevo do mundo editorial não perdeu a virgindade com sua imaculada Lylith, mas sim com uma loura estonteante que conheceu, certa vez, num bar colorido da agitada Dallas de 1856.

Tex Willer* era garoto fora da lei em meados do século XIX. Conhecido pelo gatilho veloz e não pela fama de chefe branco dos navajos ou outras que conquistaria mais adiante na vida. Chegou-se, faceiro, traspassou a portinhola de vaivém e foi ao balcão. As garotas logo o notaram. “Olhem o rapagão que acaba de entrar, meninas! Que tal alguma ir lhe oferecer companhia?” sugeriu a cafetina que era também uma das donas do bar.

A loura Helena ergueu seu comprimido vestido rendado e caminhou até o jovem de semblante sensual. Surpreendeu-o a seu modo:

― O forasteiro não me oferece algo pra beber?

Tex a olhou de cima a baixo parando os olhos em seu avolumado decote e empurrou um copo de uísque para ela, logo o enchendo do apreciado líquido. Os dois ingeriam um gole quando Edward, o xerife de Dallas, irrompeu no saloon. Todos se viraram para olhar quem entrava. Imediatamente o homem da lei reconheceu Willer junto da loura escorado ao balcão e lhe intimou:

― Reconheci você, Tex! Agora, patas para o alto e nada acontecerá!

O saloon emudeceu. Alguns segundos se passaram, aumentando a tensão. O jovem Tex, com agilidade felina, empurrou a loura corpulenta para o chão e saltou para trás do balcão, abrindo fogo contra o xerife. Este e seu ajudante Beau Cock reagiram abrindo fogo contra Tex.

BANG! de um lado; BANG! do outro!

As lamparinas e janelas se partiram em centenas de cacos. A multidão que lotava o bar apavorou-se com o sibilar mortal dos projéteis. Logo a munição acabou nos tambores, mas nem Tex nem o xerife Edward tiveram tempo para recarregar. Alguns bêbados assustados, talvez incomodados, começaram a se socar; isso se alastrou tal como a varíola.

Como uma epidemia frenética, em pouco tempo todos no bar estavam dando e recebendo socos gratuitos, quebrando cadeiras e garrafas, rasgando as próprias roupas, protagonistas de uma grande pancadaria ruidosa. Num canto, expectantes, se agruparam as raparigas para assistir o duelo livre no bar. “Ora, tem coisa mais excitante que ver homens rudes em luta livre?” disse uma, incitando as outras ao riso. “São homens, estão apenas exercitando os músculos!” completou a outra, de dedo metido no beiço, completamente excitada com toda aquela agressão masculina.

Logo uma cadeira voou pelo corredor do bar chocando-se contra o lustroso espelho acima do balcão, estilhaçando-o em incontáveis pedacinhos. Um tiro de espingarda fez cessar repentinamente toda a movimentação no bar.

― Se quiserem brigar, que seja fora daqui! – bradou a cafetina dona do saloon, com a arma mirada para a multidão.

Todos se aquietaram, de fato, dando fim a pancadaria para alívio de alguns, tristeza de outros – inclusive das saias espectadoras! Tex usou da confusão para camuflar sua evasão. Edward e seu auxiliar, que puderam enfim respirar, logo notaram a ausência do rapazola fora da lei. Enfurecido, subiu no balcão e gritou para todos ouvirem:

― Ouça povo de Dallas! Tex Willer é um foragido da lei e ofereço cem dólares pela sua captura, vivo ou morto!

Todos se aguçaram ao ouvirem a quantia mencionada pelo xerife. “Temos que pegar esse Tex, pessoal!” disse um homem nu que tivera as roupas rasgadas na briga e que agora tentava cobrir com as mãos o seu longo pau branco. “Vá se vestir, Brod!” sugeriu o xerife visualizando o indiscreto dote pentelhudo do bêbado.

×××


Num dos quartos do primeiro andar um jovem pistoleiro mexicano terminava seu breve banho. Ele estava apreensivo com os tiros vindos lá de baixo. Saiu da banheira ao término completamente nu, respingando água pelo assoalho do quarto. Seus testículos flácidos balançavam-se com o passar das pernas e seu físico era justamente ideal: alto e esguio, como os bons gunmen*, e de troco musculoso do trabalho duro pelos ranchos das cercanias. Secou-se com uma toalha que tinha próxima. Cingiu na cintura musculosa o cinturão com as pistolas. Apanhou a sela caída no chão e a jogou sobre a cama. Estava já de saída. Quando ele se voltou para a porta, o jovem Tex lhe apontava um ameaçador colt calibre 45.

― Caia fora! – disse Tex.

― Já vou, mister! – rosnou o outro peladão erguendo brevemente as mãos e trincando o abdômen.

O homem nu foi expulso do quarto sem ao menos ter posto qualquer roupa no corpo. “Me pegou desprevenido, moleque, mas não me chamo Johnny Dick se não fizer você pagar caro!” profetizou ele, em pensamento, ruminando ódios por Tex.

O pistoleiro desceu pela escadaria, ainda nu, apenas com o cinturão afivelado na cintura e de chapéu na cabeça, e foi na direção da multidão ainda tonta que lotava o salão. Assim que se mostrou, todos no bar se calaram e se voltaram para ele. “O que é? Nunca viram um homem nu?” ele perguntou, cínico, lá da altura da escadaria. Logo os murmúrios recomeçam enquanto o homem descia os últimos degraus.

― Hoje, por acaso, é a feira municipal da nudez? De todos os buracos estão saindo homens nus – e muito bem dotados, por sinal! – comentou o xerife Edward, visualizando mais um comprido pau branco balançando entre as pernas cabeludas daquele pistoleiro estonteante.

― Cale a boca, xerife! – retrucou ele, atravessando toda a multidão e saindo pela portinhola de vaivém, seguido pelos olhares invejosos.

Beau Cock, o ajudante do xerife, o questionou sobre o atentado ao pudor, mas Edward disse:

― Atentado ao pudor? Quando se tem uma ferramenta divina daquele tamanho, atentado ao pudor seria escondê-la, meu bom rapaz!

Lá do fundo da multidão, uma das louras do meretrício perguntou:

― Por isso que o senhor ainda não prendeu Brod? É pelo dote, não é xerife?

― Sendo assim, não pode me prender também, xerife! – disse um dos caubóis espectadores, abaixando as calças e deixando exibir para todos também a sua bengala branca encimada por um denso pentelho louro.

― Nem a mim! – disse outro, imitando o anterior e mostrando seus centímetros todos para o público presente.

Outros homens também abaixaram a vestimenta a fim de exibirem seus dotes considerados pela lei local como obras divinas. Cada homem que se despia, uma salva de palmas ecoava das meretrizes e do expectante xerife Edward. No fim:

― Nesses termos, xerife Edward, não poderá me enjaular por atentado ao pudor! – revelou o seu ajudante que também se desvestiu e surpreendeu a todos, sobretudo ao abobado xerife, mostrando o belo dote rosado que ocultava sob o jeans.

“Aplausos para Beau Cock, meu grande ajudador!” sugeriu Edward, encantado com a nudez de todos os homens e rasgando a cara num sorriso enorme.

×××


Continua...


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Notas*: Willer é protagonista dos famosos quadrinhos de faroeste italianos que levam seu nome; "Gunmen", segundo o inglês plural, significa "pistoleiros".

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