quinta-feira, 27 de abril de 2017

Pistoleiro do Texas - Parte 5/5

Texto: Jesús Blasco


Continuação:

O pistoleiro, aproveitando-se daquela crendice de que era mensageiro de um deus, deitou-se naquela cama rudimentar e transou com todas moças, uma a uma, por toda aquela noite de lua minguante onde a aldeia pernoitou em claro, com o surgimento dos ecos de gemidos, grunhidos e lamentações sucessivas provindas das virgens e do prisioneiro inglês.

― Ouça... O som doce das moças embarrigando do mensageiro de Hamatsa! Que serenata gloriosa para o nosso povo... ― comentou Touro Feroz ao seu bruxo. Ambos menearam as cabeças em consentimento às palavras.

Na aurora sucessora, ainda cedo, os índios preparavam a continuação do rito que Jhony sofreria. Depois do estupro, o pintor seria torturado nu, amarrado ao poste dos martírios ante a todos da aldeia, seria alvo de flechas e, por fim, escalpado.

Bob, depois de deflorar todas as jovens índias que pôde na noite anterior e compreender que os índios o respeitavam por ser um macho bem dotado, exigiu deles a sua liberdade e um bom cavalo. Já queria ir embora, mas os índios não aceitaram suas idéias. Queriam persuadi-lo a ficar ali, casar-se com algumas jovens e viver como um índio ou talvez, macho reprodutor.

Tornando a divergir de seu real desejo, os índios ordenaram a prisão de Bob, deixando-o numa tenda isolada. "Refletirá aqui, consigo, e compreenderá que se ficar, a vida será boa e terá quantas mulheres quiser para deflorar!", sentenciou Touro Feroz, antes de dar-lhe as costas. O pistoleiro, no entanto, conseguiu soltar-se com a ajuda fundamental de um punhal. Aproveitou que uma multidão curiosa rodeava Jhony amarrado nu num imponente totem, qual tinha inúmeros ídolos entalhados.

Silencioso como uma sombra, Bob deslizou para fora da aldeia e fugiu. "Danação! Por mais que eu lamente, não há nada que possa fazer por Jhony", pensou o bandoleiro subindo uma colina e perdendo-se por entre os rochedos. Seguiu pela estrada de Arlington, certo de que encontraria uma diligência ou qualquer outra carona. No caminho, teve uma grande surpresa: deparou-se com "El Diablo" e seus homens, acampados a poucos quilômetros de onde fugira.

•••

Na aldeia, a figura nua de Jhony, amarrado ao poste, era frequentemente assediada pelos índios excitados, exaltados. Enfiavam seus pênis entesados na boca lambuzada do pintor, obrigando-o a chupa-los. Vários jovens puderam divertir-se com seus lábios carnudos.

Quando a tarde desceu silenciosa e tórrida sobre o Texas, deformando as montanhas do horizonte, os índios acendiam uma grande fogueira no centro da aldeia onde torturariam Jhony, multilando-o e tirando o seu escalpo. Lobo Grande, seu capturador, queria ter a satisfação de manusear o punhal em seu corpo pálido, porém, o destino não permitiria.

Pouco depois do meio dia, Touro Feroz deu início ao macabro rito de tortura. Todos da aldeia juntaram-se ao redor do totem onde estava amarrado o prisioneiro. Lobo Grande ergueu o punhal para o inglês, sorrindo, mas não teve tempo de feri-lo; uma bala de rifle o interrompeu para sempre.

Era Bob, o atirador. Montando um cavalo negro cintilante, o pistoleiro louro liderava o bando de "El Diablo" contra os índios de Touro Feroz para libertar Jhony.

― Vamonos, muchachos! Iuuupi! ― gritava "El Diablo", atirando para o alto como um endemoninhado.

Durante o breve entrevero, Bob pôde libertar Jhony do poste dos martírios que, mesmo nu e exausto, montou em sua garupa e, apoiando-se no tronco firme do louro, fugiram de lá deixando alguns cadáveres indígenas estendidos na poeira do chão.

Dali, levaram o pintor para o médico mais próximo, o Dr. Mac Parland, de Arlington. Sob seus cuidados e medicina, depois de alguns dias o artista inglês recuperou a saúde e vigor. Bob contou-lhe na tarde de um dia como evadiu-se da aldeia, como encontrou "El Diablo" ocasionalmente acampado e que, em nome das antigas aventuras, este aceitou sem demora atacar os índios para liberar Jhony.

Como agradecimento, Jhony deu um beijinho chilreado no rosto empoeirado do pistoleiro. Este baixou a vista, envergonhado por aquilo, mas tornou a ergue-la para Jhony e deu-lhe um sorriso tímido.

•••

Uma semana depois, em Dallas, destino inicial do pintor Jhony Wally, em uma famosa galeria artística da cidade, este expunha alguns quadros seus ao animadíssimo diretor do local. Uma das pinturas chamou-lhe a atenção: era o retrato minucioso de um louro nu e absorto em seus pensamentos, com as pistolas nos coldres à cintura, deixando exibir seu físico rústico e exuberante. Jhony ouviu com evidente contentamento o comentário elogioso que recebeu do diretor sobre aquele seu quadro, qual intitulou "O Pistoleiro do Texas".

Acertou os detalhes da exposição. Saiu de lá saltitando e trauteando uma canção com o sorriso estampando o rosto de maçãs avermelhadas. Entrou no Hotel Glória e subiu ao seu quarto. Encontrou Bob ainda fresco, recém saído do banho, enrolado num roupão felpudo que este apanhou em sua mala.

Contou-lhe a novidade. Agora seria artista de Dallas, famoso e bem sucedido. Bob parabenizou-o, com os olhos brilhando e o sorriso branco, aberto. Era homem rude. Não entendia muito de arte, mas sabia que Jhony era bom nisso. Deitou-se na cama, o danado, sabendo que o pintor não resistia aos seus olhos e seu sorriso:

― Vamos, tire logo essa roupa, danação! Deixe a comemoração por conta do meu pau e do seu rabo! ― disse o louro risonho, livrando-se do roupão e esticando-se sobre os lençóis da cama.

"THE END"


Jesús Blasco, 4 de Junho de 2016.

Nenhum comentário:

Postar um comentário