quinta-feira, 27 de abril de 2017

Transa na Lagoa

Andava sempre seminu, o caubói. Era peão macho, de olhar entrecerrado e resoluto. O volume opulento do pênis sempre impresso na calça jeans encardida, apertada. Na cabeça, encaixado o chapéu marrom de abas curvas. Os olhos azuis, vivíssimos, e a cabeleira loura. Corpo musculoso, atlético, do trabalho duro na fazenda. Bunda larga, ressaltada na roupa comprimida à pele. Assim era Gustavo, este referido peão.

Gostava de recostar-se ao espaldar das cadeiras da varanda, por no alto das mesinhas os pés e levar à cabeça as mãos. Ali ficava, exibindo-se; exibindo suas axilas louras, seu corpo maravilhoso dotado de curvas generosas que sempre de alguém arrancava inveja ou um devaneio erótico.

Às vezes cochilava. Às vezes ouvia alguma moça passar. E às vezes via o patrão parar e olhar sua nudez varonil, absorto. Ficava estático, com as mãos na cintura, a fitar-lhe o volume peniano estampado na calça e Gustavo a observa-lo com um olho entreaberto.

Certa vez o patrão o abordou, meio introspectivo:

― Tarde, peão! Diga-me, por que vive sem camisa?

― Simples ― replicou Gustavo, ainda com as mãos à cabeça ―, é que sinto calor!

― Entendo. Nesse caso, vou lhe dar algumas regatas, e também algumas cuecas. Quero te ver usando-as!

Gustavo ergueu-se da cadeira, fixando seus olhos azuis nos do patrão. Corrigiu o chapéu à cabeça. Inquiriu, indignado:

― Quer me ver de cueca?

O patrão soltou uma risadinha amarela, lívido de vergonha. Afinal, era exatamente o que queria. Negou. Melhor, contornou. Disse que queria ver o peão usando as regatas que compraria para ele. Coçou a cabeça por baixo do chapéu, sem mais assunto. Foi embora. Subiu no trator e cortou a colina.

O calor estava intenso naquele dia. Por entre os vapores da terra, desfigurou-se a imagem do patrão já longe, perto do gado. Gustavo perturbou-se, sentado. "Patrão estranho, diacho!".

No alvorecer seguinte, as regatas, todas brancas e perfumadas, já estavam empilhadas sobre a cama de Gustavo, em seu dormitório. Junto a elas, estavam as cuecas também brancas. O peão olhou as roupas. Vestiu-as. Vestiu uma regata e uma cueca. Sozinho no quarto. Olhou-se num espelho pequenino pendido na parede. Mal imaginava o caubói que por uma fenda na parede um olho o espionava. Percorria toda a extensão do corpo parrudo do vaqueiro e parava no pau avultado.

Talvez fosse alguma moça curiosa de ver a nudez sensual do peão. Talvez fosse algum gurí endiabrado. Ficou espreitando os músculos curvilíneos do vaqueiro alumiados pela luz que as frestas permitiam entrar.

À tardinha, Gustavo foi à lagoa banhar-se para depois recolher-se. Alguém o seguia. Os ouvidos do homem capturavam os farfalhares das folhas atrás de si. "Ou é algum bicho, ou é gente!". Seguiu pela mata como se nada acontecesse. Despiu-se, totalmente. Entrou n'água até os joelhos. Enchia de líquido um caneco rudimentar e vertia-o na cabeleira loura. Sabia que, de trás de algumas folhagens, o patrão o observava. Quieto, Gustavo exibiu-se para a sua platéia única.

Tomava nas mãos rústicas o pau grosso e venoso, alisando-o. Amassando suas bolas flácidas. Percorria as mãos ensaboadas por todas as curvas quebradiças do corpo. Acariciava-se lentamente, insinuando-se. Tornava a entornar o caneco com água na cabeça que levava a espuma de seu corpo.

Os labios róseos de Gustavo dilataram-se num sorriso malévolo, naquele momento. Chamou o patrão: "Ô, seu Mario, venha pra cá!". Um instante se passou sem resposta. O patrão oculto atrás das ramagens empalideceu. O caubói bem dotado reconvidou: "Tenha vergonha não. Somos homens. Tem água pro senhor também!".

Mário, seu patrão, saiu então da moita, ressabiado. Coçava a cabeça, entre um risinho consternado e outro, mas sem tirar os olhos da vara loura. Alcançou a beira do dique, resistindo em entrar. "Deixa de ser bobo, homem! Venha banhar comigo!" retrucava o caubói nu, propositalmente.

Despiu-se e entrou na água, roxo de vergonha ― ao mesmo tempo que doido de curiosidade! Gustavo, sempre a alisar o dote longo, aproximou-se de seu patrão. Passou-lhe o sabonete e notou que sua mão tremulava. "Está com medo, homem?" riu-se ele, enlaçando o pescoço do patrão com o braço musculoso. Este, intimidado, escondida entre as mãos o pouco que tinha para mostrar.

O caubói excitou-se com sua inferioridade viril; decidiu que iria testa-lo. Com um movimento rápido, empurrou-o para a margem e montou em suas costas! "Vou te domar igual faço com teus cavalos!" bradava o vaqueiro a esfregar-se nas costas do fazendeiro.

O fazendeiro, coitado, entregou-se, gemendo de tensão.

Passou pra frente, já de pau duro e surrou-lhe a cara com ele. Enterrou todos os centímetros brancos de seu dote na goela do patrão até seus testículos encostarem-se ao queixo dele. "Isso! Se você engolir tudinho, prometo que te deixo me ver de cueca!".

O homem grunhia e engasgava, mas o pênis de peão sumiu em sua boca pequena. Sofria um pouco mais quando Gustavo tapava suas narinas, obrigando-o a engolir seu mastro robusto daquele jeito, sem respirar. No fim, seu peito já se banhava de sua própria baba, escorrendo.

Depois de lubrificado com a saliva viscosa do patrão, Gustavo montou-lhe no traseiro. "Vamos experimentar algo interessante...", disse o peão a Mário, pálido de medo e tesão. Interrompeu:

― Ei, peão, vá devagar. Sabe, nunca levei nada aí atrás.

― Um virgem? ― riu-se Gustavo, alisando o próprio pênis ao cabeludo anel anal do patrão ― Para isso, há sempre a primeira vez.

― Não quero sentir dor...

― Nesse caso, eu lamento ― alegou o peão, estampando no rosto um sorriso felino.

Não permaneceu cerrando os dentes, pois gemeu alto quando Gustavo afundou o pau ao seu pequeno orifício corrugado. Quis interrompe-lo, mas deixou que continuasse. Suas mãos desoladas buscavam algo no chão para apertar, na ilusão de que aquilo aliviaria a dor incômoda que o peão lhe proporcionava.

― Ah, ai... ― gemia alto, ecoando pela planície da estância.

Gustavo contorcia-se de prazer, desferindo tapas na bunda gorda e desajeitada do fazendeiro. "É apertadinho, hem, patrão!" alegava ele, puxando-o contra o próprio corpo.

Já não queria mais aquela posição.

Com poucos movimentos, o peão moveu Mário de barriga para cima e pernas abertas, como um peru assado. Novamente fez seu mastro latejante sumir na roda anal do patrão que se desfazia em gemidos chorosos. "Ora, seu Mario, não aguenta uma piroquinha de nada?" zombava Gustavo, assolando a bunda desajeitada do fazendeiro.

Pobre homem aquele, que nunca sentira dor anal.

Mas, claro, estava nem um pouco arrependido daquilo e não via a hora do peão musculoso ejacular na sua boca, como faziam com as prostitutas na cidade.

Perto dali, uma serviçal passava com baldes em ambas as mãos. Ela vinha da fazenda buscar água na lagoa justamente onde os dois, peão e patrão, arfavam do impacto da transa. Ela escutou os choramingos de Mário e se aproximou cautelosamente, soltando os baldes de latão no chão. Ao fazer aquilo, porém, ela se traiu involuntariamente.

O ruído metálico das alças dos baldes não escaparam aos ouvidos de Gustavo. Ele desentupiu seu pau venoso do largo buraco anal de Mário e lhe mandou, rudemente, calar a boca. O patrão obedeceu como bom passivo que era. O peão ouviu naquele momento o farfalhar de pés avançando pelo capim.

A jovem mulher, muito ingênua, não utilizou da prudência e, próxima da margem, agachou sobre os calcanhares dentro do capim para afinal ver quem gemia por ali. Seus olhos, porém, só enxergaram a nudez medonha de seu patrão, Mário, que banhava-se distraído.

Ela levou logo a mão à boca ao deparar-se com o piruzinho atrofiado do fazendeiro. Um ruído vindo de trás lhe tomou a atenção e quando ela se virou, Gustavo estava de pé com os braços cruzados bem às duas costas, completamente nu.

Mais que a súbita aparição do peão, o seu pênis semiereto também assustou a serviçal que fez menção de fugir, mas antes Gustavo lhe segurou violentamente pelo braço.

― Você não viu nada ― ele disse em tom severo.

Ela assentiu desesperadamente e quando o braço foi solto, fugiu desarvorada esquecendo-se mesmo dos baldes deixados no capim.

Não, ela não reconheceu Gustavo. Ele usava a camiseta enfaixando cabeça, como uma espécie de máscara improvisada.

Naquela tarde, primeiro Mário regressou à sua fazenda; depois dele, foi a vez de Gustavo aparecer.

Após perder brutalmente a virgindade e as pregas no colo do peão, este recebeu um aumento da féria e foi elevado a capataz. Mário, ainda, constantemente o convidava para matar algum rato ou conter infiltração em seus aposentos em plena madrugada. Coisas escusas de Mário, se me entende...

Houve outros casos entre subalterno e patrão, mas, claro, cada um terá seu espaço apropriado.

"THE END"


Jesús Blasco, 14 de Outubro de 2016.

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